Com novos contratos assinados, Rio Grande inicia reconstrução da indústria naval no sul do Estado
Visita presidencial oficializa construção de navios gaseiros e entrega de moradias, marcando uma nova fase de crescimento industrial no sul do Estado — desta vez, projetada para ser mais sustentável...
A cidade de Rio Grande, no sul do Estado, vive nesta terça-feira (20) um dia simbólico de virada de página econômica. Com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o município celebrou a assinatura de um contrato crucial entre o Estaleiro Rio Grande e a Transpetro para a construção de cinco navios gaseiros.
A agenda presidencial, que também incluiu a entrega de mais de 1,2 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, reacendeu a esperança de uma região que busca curar as cicatrizes da crise econômica iniciada em 2016. Para a prefeita Darlene Pereira, o dia foi a síntese de duas necessidades urgentes: teto e trabalho.
“Hoje é um dia especial, um dia de entregas concretas. Estamos falando de habitação, de moradia, e também de geração de renda, que é fundamental para o sustento das pessoas”, afirmou a prefeita.

Para os moradores de Rio Grande, a retomada da indústria naval vai além dos números frios da economia; ela possui uma cor. Durante o auge do setor, entre 2009 e 2014, o centro da cidade era tomado diariamente pela cor laranja dos uniformes dos operários. É essa imagem que a administração municipal espera resgatar.
— Eu não vejo a hora de ver o centro da cidade laranja de novo, com os macacões e jalecos do pessoal. Era isso que a gente via na hora do almoço — recordou Darlene, evocando a memória visual da prosperidade local.
O cronograma de contratações já está desenhado:
- Atualmente: cerca de 400 trabalhadores atuam no polo.
- Curto prazo (Março/Abril): expectativa de chegar a 1.000 postos com o início efetivo das obras.
- Longo prazo (Fim de 2027): projeção de alcançar entre 3 mil a 4 mil empregos.
Lições do passado: um crescimento com o pé no chão
Embora o otimismo seja evidente, o discurso oficial adota uma cautela estratégica. A cidade, que chegou a ter 20 mil pessoas trabalhando no setor antes da suspensão de contratos na década passada, agora aposta na perenidade em vez da velocidade.
Darlene Pereira enfatiza que o objetivo não é repetir o “boom” desordenado de outrora, mas sim construir uma base sólida. “Não será o boom de antes… Mas a nossa esperança é que, mesmo sendo menor, seja mais permanente”, pontuou.
Mão de obra e cadeia produtiva
Um dos pilares dessa nova fase é a valorização da força de trabalho local. A prefeitura destaca que muitos profissionais qualificados no ciclo anterior permaneceram na cidade, criando um contingente pronto para absorver as novas vagas.
Para garantir a atualização técnica:
- Requalificação: cursos foram realizados em 2025 em parceria com o Senai.
- Expansão: negociações com a Fiergs avançam para a construção de uma nova unidade do Senai no município, focada no setor naval.
A aposta também recai sobre o efeito multiplicador. A expectativa é que a movimentação no estaleiro atraia empresas da cadeia de suprimentos, gerando empregos indiretos e fortalecendo o comércio e serviços locais, garantindo que o “laranja” volte a colorir as ruas de Rio Grande de forma duradoura.



Seja o primeiro a comentar.