Lula assina contrato de R$ 2,2 bilhões para construção de 5 navios no Estaleiro Rio Grande
Investimento marca novo capítulo para o Polo Naval gaúcho, com previsão de gerar milhares de empregos e triplicar a capacidade de transporte de gás da Transpetro.
Em uma cerimônia realizada na tarde desta terça-feira (20), no Estaleiro Rio Grande (Ecovix), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a retomada dos grandes investimentos na indústria naval do sul do Estado. O contrato assinado prevê um aporte de R$ 2,2 bilhões (parte de um pacote nacional de R$ 2,8 bilhões) exclusivamente para a construção de cinco navios gaseiros no município.
A medida integra o Programa Mar Aberto e visa não apenas a soberania logística da Petrobras/Transpetro, mas a reativação econômica de uma região que sofreu com o esvaziamento do setor na última década.
Detalhes do contrato em Rio Grande
O acordo firmado com o Estaleiro Rio Grande, que venceu uma licitação internacional, contempla a construção de embarcações de alta tecnologia destinadas ao transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP):
- 3 navios com capacidade de 7 mil m³.
- 2 navios com capacidade de 14 mil m³.

As novas embarcações serão mais sustentáveis, com redução de 30% nas emissões de gases de efeito estufa e eficiência energética 20% superior aos modelos atuais.
Impacto na geração de empregos
O foco central do investimento é a recuperação da mão de obra local. Segundo dados do governo e da Ecovix, o impacto no mercado de trabalho será significativo:
- Gaseiros (novo contrato): estimativa de 1.500 empregos no pico da produção.
- Navios Handymax (contrato anterior): somado ao projeto dos navios classe Handymax (já em fase inicial), o estaleiro deve mobilizar cerca de 2.900 trabalhadores diretos.
- Cadeia estendida: o governo federal projeta que, somando os empregos indiretos e a cadeia de fornecedores, o impacto pode alcançar até 7 mil postos de trabalho na região.
“Vocês sabem o que foi a vida de vocês nessa cidade quando deixou de ter 15 mil empregos nesse estaleiro. O setor naval não pode viver como no passado, em altos e baixos. Precisa ser tratado com política nacional.” — Luiz Inácio Lula da Silva, durante o evento.
Cronograma das obras
Embora o contrato tenha sido assinado agora, a retomada será gradual, exigindo planejamento da população e fornecedores locais:
- Curto prazo (Março/2025): início das contratações referentes ao contrato dos navios Handymax (firmado anteriormente).
- Médio prazo: o novo contrato dos gaseiros entra em fase de pré-construção (engenharia e compras) nos próximos dois meses.
- Longo prazo (2027): a construção física pesada dos gaseiros deve iniciar no segundo semestre de 2027.
- Entrega: o primeiro navio deve ser entregue em até 33 meses (cerca de dois anos e meio).
Contexto nacional e “Mar Aberto”
Enquanto Rio Grande concentra a maior fatia financeira (R$ 2,2 bilhões) e tecnológica do pacote, o Programa Mar Aberto também distribuiu investimentos para outros estados para garantir a logística fluvial:
- Amazonas (Estaleiro Bertolini): construção de 18 barcaças (R$ 295 milhões).
- Santa Catarina (Estaleiro INC): construção de 18 empurradores (R$ 325 milhões).
O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, reforçou o compromisso com a mão de obra local e alertou contra desinformações, garantindo que “esses navios serão feitos aqui”. Além disso, foi anunciado o fortalecimento da qualificação profissional com uma nova escola do Senai em Rio Grande, prevista para março, visando preparar os trabalhadores para a demanda tecnológica das novas embarcações.



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