Estaleiro Rio Grande recebe primeira carga de aço e dá início à construção dos navios da Transpetro
O material garante 5 meses de produção contínua e marca a consolidação da retomada da indústria naval no município, que deve triplicar o número de trabalhadores até 2027.
Com a chegada de cerca de 11 mil toneladas de aço vindas da Indonésia, o Estaleiro Rio Grande inicia a etapa industrial do contrato de US$ 278 milhões com a Transpetro. O material garante cinco meses de produção contínua e marca a consolidação da retomada da indústria naval no município, que deve triplicar o número de trabalhadores até 2027.
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O Estaleiro Rio Grande, operado pelo Grupo Ecovix, recebeu nesta quinta-feira (9) a primeira grande remessa de aço destinada à construção dos quatro navios da classe Handy encomendados pela Transpetro. A carga, de aproximadamente 11 mil toneladas (10,6 mil toneladas, segundo balanço técnico da empresa), chegou da Indonésia e representa cerca de 60% de todo o material necessário para a fabricação dos cascos das quatro embarcações.
O desembarque foi acompanhado por representantes da Transpetro, Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo, e Flávio Gabina, gerente-executivo de Engenharia e Manutenção de Navios, além da prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, que classificou o momento como a consolidação do processo de retomada da indústria naval iniciado em 2025.
O que o aço vai construir
O material será utilizado na fabricação dos cascos dos quatro navios Handymax contratados pela Transpetro no âmbito do Programa Mar Aberto, iniciativa de renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. As embarcações terão entre 15 mil e 18 mil toneladas de porte bruto (TPB) e serão empregadas no transporte de derivados claros de petróleo pela costa brasileira, como:
- Diesel marítimo
- Diesel S10
- Diesel S500
- Gasolina de aviação (GAV)
O contrato entre a Ecovix e a Transpetro, firmado por meio do Consórcio Marenova em fevereiro de 2025, tem valor total de US$ 278 milhões, o equivalente a cerca de US$ 69,5 milhões por navio, e prevê entregas até agosto de 2029. Os cascos serão construídos em Rio Grande, enquanto a montagem final ocorrerá em Niterói (RJ), em parceria entre a Ecovix e a Mac Laren.
Como funciona o processo de produção
Segundo o CEO da Ecovix, Robson Passos, a quantidade de aço recebida assegura cerca de cinco meses de produção contínua, e uma nova remessa deve chegar em aproximadamente dois meses para dar sequência aos trabalhos.
“É um marco no início do contrato. Com o recebimento da carga, a gente dá continuidade ao processo industrial de construção dos navios. Estamos recebendo 11 mil toneladas, o que garante uma produção por cinco meses contínua”, afirma Robson Passos, CEO da Ecovix.
A produção seguirá modelo seriado: a construção começa pelo primeiro casco e, a cada dois ou três meses, um novo navio entra na linha de produção, mantendo uma sequência contínua até a conclusão das quatro embarcações. O processo industrial parte do corte e da soldagem das chapas de aço, que dão origem aos primeiros blocos estruturais. Essas estruturas passam depois por etapa de ampliação até serem encaminhadas ao dique, onde ocorre a montagem definitiva dos navios.
Geração de empregos deve triplicar até 2027
Atualmente, cerca de 500 profissionais estão mobilizados nas atividades do contrato dentro do Estaleiro Rio Grande. A Ecovix projeta uma ampliação gradual desse número:
- Final de 2026: cerca de 1.000 trabalhadores
- 2027 (pico da produção): entre 1.600 e 1.700 trabalhadores
O crescimento da força de trabalho reforça a expectativa de reativação do Polo Naval como importante gerador de emprego e renda na região sul do Rio Grande do Sul. Considerando o conjunto de contratos já firmados com a Transpetro, a estimativa é de geração de 5 mil empregos diretos e indiretos.
Rio Grande volta a protagonizar a indústria naval brasileira
Além dos quatro navios Handy, o Estaleiro Rio Grande já possui contratos para outras nove embarcações, totalizando 13 navios em diferentes fases de produção:
- 4 navios Handymax — Consórcio Marenova, transporte de derivados claros de petróleo
- 5 navios-tanque pressurizados — transporte de GLP e derivados
- 4 navios de médio porte classe MR1 (Medium Range)
Segundo a Ecovix, esse volume de contratos representa atualmente cerca de 30% da capacidade de ocupação do complexo industrial, o que indica margem para novos avanços.
O diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares, destacou que os navios Handy são apenas o início dos investimentos previstos para o município.
“Esse recebimento representa um marco importante nesse projeto de ampliação da frota. Inicialmente construiremos esses quatro navios e, posteriormente, outros contratos já firmados, como os gaseiros e os navios MR1”, afirma Jones Soares.
Soares reforçou ainda que a escolha do Estaleiro Rio Grande resultou de processos licitatórios em que a Ecovix apresentou as melhores condições técnicas e comerciais, e que o projeto integra o planejamento estratégico da Transpetro e da Petrobras.
Para a prefeita Darlene Pereira, a chegada do aço confirma a retomada do protagonismo do município no setor:
“Hoje é um dia especial para o município do Rio Grande, porque efetivamente temos 11 mil toneladas de aço chegando para concretizar a construção naval. Isso consolida todo o processo que vem acontecendo desde o ano passado e confirma que Rio Grande voltou a ocupar seu espaço na indústria naval brasileira.”
Perguntas frequentes
Quanto aço chegou ao Estaleiro Rio Grande? Cerca de 11 mil toneladas de aço (10,6 mil toneladas segundo balanço técnico da Ecovix), vindas da Indonésia, correspondendo a aproximadamente 60% do material necessário para os quatro cascos.
Para que serve esse aço? Para a construção dos cascos dos quatro navios Handymax/Handy contratados pela Transpetro, dentro do Programa Mar Aberto de renovação da frota do Sistema Petrobras.
Qual o valor do contrato entre Ecovix e Transpetro? US$ 278 milhões, equivalente a cerca de US$ 69,5 milhões por navio, com entregas previstas até agosto de 2029.
Quantos empregos o projeto deve gerar? Atualmente há cerca de 500 trabalhadores mobilizados. A previsão é chegar a mil até o fim de 2026 e entre 1,6 mil e 1,7 mil em 2027, ano de pico da produção.
Quantos navios o Estaleiro Rio Grande vai construir ao todo? 13 embarcações: 4 Handymax, 5 navios-tanque pressurizados para GLP e 4 navios classe MR1, com previsão de geração de 5 mil empregos diretos e indiretos.



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